Criticamos mas não deixamos de dar aquela espiadinha no BBB

João Leme Oliveira (Aluno da E. E. Prof° Priscila de Fátima Pinto)


Big Brother, o reality show criado pelo executivo da TV holandesa, John de Mol, em 1999, dirigido e adaptado para a TV brasileira por Boninho (José Bonifácio Brasil de Oliveira), no ano de 2002. Por meio dos altos e baixos durante seus 16 anos de exibição, conseguiu realizar uma temporada destaque, neste ano de 2018, com bons índices de audiência e principalmente, agradou os telespectadores apáticos devido a frustante última edição.
No programa exibido na emissora Rede Globo, que consiste no confinamento de um número variável de pessoas em uma casa vigiada por câmeras 24 horas por dia, o entretenimento do público que o assiste está nas decisões, alianças, jogadas e o desenrolar que os participantes têm durante sua permanência. Nesta história toda, o público se torna co-autor, com o maior poder nas mãos, que neste caso não é o controle da TV, mas sim o de tirar semanalmente um por um dos "personagens" criando novos rumos para a trama do reality, até que um deles, o favorito, tenha posse do grande prêmio em dinheiro. O problema está na forma como os participantes conquistam este e diversos frutos durante o programa, que é, na maioria das vezes, desumano e manipulador, beirando os limites da crueldade. Como o maior exemplo, temos os participantes desta edição de 2018, Kaysar e Ana Clara, que permaneceram em pé durante 43 horas em uma prova de resistência sem a interferência da produção, tudo em prol do entretenimento.
Kaysar Dadour e Ana Clara participantes da 18° edição.

Colocar a audiência como principal motivo, talvez consiga cegar as pessoas fazendo com que não vejam o quanto estamos retrocedendo em relação ao verdadeiro significado do entretenimento, porventura um pouco exagerada. Acredito que seria uma boa comparação colocarmos o BBB lado à lado aos espetáculos nas arenas onde o povo adorava assistir aos leões devorarem as pessoas. A comparação em si não é em relação ao entretenimento, mas como o público reage à ele, fazendo-se de cegos e achando tão divertido quanto os organizadores o fazem parecer.
Felizmente, graças ao acesso a internet e um público com senso crítico mais assíduo, atualmente, a produção sofre um peso maior das consequências de suas ações, fazendo-o ser tema dos principais jornais, blogs e aparecendo semanalmente no topo dos trending topics do Twitter.
Mas independente das diversas críticas, não tem como negar que se a intenção da Rede Globo é manter os olhos do público grudados na tela, eles realizam esta missão com sucesso. Mesmo que sejam classificados como pessoas comuns, o programa te faz denominar quem são os protagonistas e antagonistas, e principalmente, quem merece o prêmio final, essencialmente quando os participantes consistem em um sírio refugiado e uma moça negra de periferia, com uma história muito forte.
Na verdade, as pessoas estão problematizando as situações erradas, pouco importa quem assiste ou não o programa, ele não interfere de forma direta na economia e na política do país, aliás, se os eleitores votassem tão bem como votam no BBB, acredito que estaríamos em uma situação mais agradável. Mas como o programa não interfere, esse não deveria ser o foco da maior parte das pessoas que criticam, mas sim a forma que o programa é executado e as situações que ele submete os participantes.

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